Aquele mesmo sonho era a única coisa que ecoava em minha mente durante dois longos e árduos meses. Meses nos quais eu não consegui pregar os meus malditos olhos por mais de duas horas por noite. Era sempre assim; Tentar dormir as 3 horas da madrugada, e acordar as 5. As vezes mais cedo, as vezes mais tarde. Mas era tempovo bastante para poder sonhar. Sonhos maiss bem denominados pesadelos. Aquele mesmo sonho. Aquele mesmo rosto. Aquele mesmo nome... Foi assim na última noite. Até eu começar a não sentir mais. Simplesmente deixar de lado. Deixar pra lá. Remover isso de meus pensamentos.
Eram aproximadamente 8 horas de um sábado frio. Frio como o gelo. Eu estava, como sempre, de pijamas. Tomava café aos montes, tentando me manter acordada por não ter dormido quase nada. O sono não era mais aconchegante e tentador, agora ele parecia um abismo no qual eu não gostaria de cair. O cansaço me puxava para ele e eu ia na direção contrária com uma quantidade absurda de café.
Levantei-me do sofá, desliguei a TV e voltei para o quarto depois de algumas horas dessa luta incessante. Sentia como se eu estivesse perdida no tempo, quase como se o tempo em sí não existisse mais, marcado apenas pelo sol e a lua que eu bloqueava com as minhas cortinas. Eu tinha a necessidade constante de procurar algo, como se eu tivesse perdido uma parte de mim. Num tentativa fadada à falhas eu a bri o guarda-roupa e, dessa vez, diferente de todos os outros dias nos quais eu fiz exatamente a mesma coisa, algo pareceu chamar a minha atenção. Uma daquelas caixas aonde eu sempre guardos as coisas pequenas pras quais ninguém liga. Uma das quais eu não olhava a muito tempo. Uma caixa de lembranças, cartas e peças dos meus dias passados. Memórias que não me traziam os mesmos sentimentos de antes.
Dentre elas uma foto de uma quarta-feira como outra qualquer na qual eu te encontrei. O seu sorriso, como sempre, estava lindo e o seu braço estava passado por cima dos meus ombros em uma espécie de semi-abraço. O dia estava quente, eu quase podia sentir só de olhar pra foto, o sol iluminava nossos rostos e todos pareciam felizes.
Sem muita cerimônia coloquei a foto de volta na caixa. Continuei olhando certos items que haviam por lá, um papel de bombom, presente que você me dera logo quando nos conhecemos. Você disse que não tinha dinheiro para nada mais caro e eu sorri, aceitei aquilo com o meu coração. Eu sentia uma certa dor ao me lembrar dessas coisas.
No topo da pilha de cartas presas com um elastico eu reconheci a ultima carta que você escreveu para mim, não muito tempo atrás. Eu perdi a conta de quantas vezes eu a li, mas mesmo assim, eu a li uma ultima vez, pela primeira vez em voz alta. Minha voz se espalhando pelo cômodo inteiro. fazendo uma sensação gelada se apoderar de mim:
"Por muitas vezes pensei que você era realmente a pessoa que eu procurei por toda a minha vida. Infantil, né? Como eu pude achar que você seria minha para sempre? Fui um tolo, talvez louco. Não sinto mais meu coração bater acelerado quando nos beijamos. Não sinto mais segurança quando seguro suas mãos. Não sinto mais carinho quando estamos juntos. Os beijos, que antes eram promessas, viraram costume, quase uma obrigação. As mãos dadas, que antes eram quentes como o sol, agora são frias como o inverno. As coisas, que nos transformavam em uma só pessoa, tornaram-se maçantes. Peço que me perdoe, por não te amar como a quatro meses atrás. Não é escolha minha. Eu só não sinto mais. Não sinto mais você como era antes, como você costumava ser, como você agia... Me desculpe, eu só quero que eu tenha realmente alguém ao meu lado. Uma presença e não apenas um corpo.
Eram aproximadamente 8 horas de um sábado frio. Frio como o gelo. Eu estava, como sempre, de pijamas. Tomava café aos montes, tentando me manter acordada por não ter dormido quase nada. O sono não era mais aconchegante e tentador, agora ele parecia um abismo no qual eu não gostaria de cair. O cansaço me puxava para ele e eu ia na direção contrária com uma quantidade absurda de café.
Levantei-me do sofá, desliguei a TV e voltei para o quarto depois de algumas horas dessa luta incessante. Sentia como se eu estivesse perdida no tempo, quase como se o tempo em sí não existisse mais, marcado apenas pelo sol e a lua que eu bloqueava com as minhas cortinas. Eu tinha a necessidade constante de procurar algo, como se eu tivesse perdido uma parte de mim. Num tentativa fadada à falhas eu a bri o guarda-roupa e, dessa vez, diferente de todos os outros dias nos quais eu fiz exatamente a mesma coisa, algo pareceu chamar a minha atenção. Uma daquelas caixas aonde eu sempre guardos as coisas pequenas pras quais ninguém liga. Uma das quais eu não olhava a muito tempo. Uma caixa de lembranças, cartas e peças dos meus dias passados. Memórias que não me traziam os mesmos sentimentos de antes.
Dentre elas uma foto de uma quarta-feira como outra qualquer na qual eu te encontrei. O seu sorriso, como sempre, estava lindo e o seu braço estava passado por cima dos meus ombros em uma espécie de semi-abraço. O dia estava quente, eu quase podia sentir só de olhar pra foto, o sol iluminava nossos rostos e todos pareciam felizes.
Sem muita cerimônia coloquei a foto de volta na caixa. Continuei olhando certos items que haviam por lá, um papel de bombom, presente que você me dera logo quando nos conhecemos. Você disse que não tinha dinheiro para nada mais caro e eu sorri, aceitei aquilo com o meu coração. Eu sentia uma certa dor ao me lembrar dessas coisas.
No topo da pilha de cartas presas com um elastico eu reconheci a ultima carta que você escreveu para mim, não muito tempo atrás. Eu perdi a conta de quantas vezes eu a li, mas mesmo assim, eu a li uma ultima vez, pela primeira vez em voz alta. Minha voz se espalhando pelo cômodo inteiro. fazendo uma sensação gelada se apoderar de mim:
"Por muitas vezes pensei que você era realmente a pessoa que eu procurei por toda a minha vida. Infantil, né? Como eu pude achar que você seria minha para sempre? Fui um tolo, talvez louco. Não sinto mais meu coração bater acelerado quando nos beijamos. Não sinto mais segurança quando seguro suas mãos. Não sinto mais carinho quando estamos juntos. Os beijos, que antes eram promessas, viraram costume, quase uma obrigação. As mãos dadas, que antes eram quentes como o sol, agora são frias como o inverno. As coisas, que nos transformavam em uma só pessoa, tornaram-se maçantes. Peço que me perdoe, por não te amar como a quatro meses atrás. Não é escolha minha. Eu só não sinto mais. Não sinto mais você como era antes, como você costumava ser, como você agia... Me desculpe, eu só quero que eu tenha realmente alguém ao meu lado. Uma presença e não apenas um corpo.
Com carinho, D."
Precisei rir. Uma risada alta e irônica... 'eu só não sinto mais'... Eu entendo agora. Apesar de antes essas palavras terem cortado o meu coração.

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