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E assim, fiquei olhando pra ela, de longe. Aquela menina parecia se tornar tão adulta com o vento frio batendo em seu rosto enquanto ela observava as ondas se formando.
Em cima daquela prancha ela não precisava de mais nada, e isso me dava um misto de ciúme e orgulho. A imensidão do mar parecia deixá-la tão distante de mim, e ao mesmo tempo, a deixava tão solitária.A união entre a menina e o mar era perfeita, e eu, sentado na praia ficava observando tudo isso.
O Sol ,encoberto pelas nuvens de outono, ia ficando cada vez mais fraco, o dia ia virando noite num pôr-do-sol sem graça e os ventos ficavam cada vez mais fortes e frios.E ainda sim ela continuava a domar as ondas e eu contemplando tudo isso com muito gosto.
Era como um vício, eu não conseguia mais desviar minha atenção do que estava vendo. A minha garota envolvida com algo que, com certeza, era mais necessário a ela do que eu.
E quando a claridade já era pouca, e não era mais possível continuar dentro do mar, ela saiu, veio andando devagar na minha direção com a prancha debaixo do braço. Ela olhava para trás enquanto caminhava, como se alguém estivesse a chamando.
Chegou perto de onde eu estava, olhou para a minha cara de satisfeito e disse:
- Olhando você lá do mar, dá um ciúme da areia, parece que você se dá melhor com ela do que comigo, pelo menos ela não fica falando bobeira pra você e te deixa sossegado.
Eu ri, puxei-a pra perto de mim, beijei-lhe o rosto.E ficamos ali, sentados, sentindo um frio quase bom, durante muito tempo.Só eu e ela, o mar e a areia.
Há muitas razões para você ter medo de tentar, muitas razões para falhar, muitas razões para desistir, muitas razões para voltar à sua concha e esperar a vida se esgotar. Aos poucos. Jogando fora um dia de cada vez.
Sim. Há muitas razões para acreditar naquela voz, dentro da sua cabeça, que tenta anular você, corromper seu potencial e convencer você de que é um desperdício tentar dar o próximo passo. Essa voz diz: "Para que escrever a própria história?
Assista TV, e viva a história de outros, coma mais e não se exercite, para destruir sua principal máquina de mudar seu mundo; esqueça o amor, anule-se." Estas são as mensagens que tentam derrubar você.
Há muitas razões para desistir. Todas, absolutamente todas, falsas. Os limites estão em você, não em regras criadas por outros. Nossa sociedade é dominada pela absurda "lei das médias".
Se a maioria não consegue, tentam fazer com que você acredite que jamais conseguirá. Aleijadinho não acreditava na voz interior que dizia, com toda a lógica do mundo, que “aleijados não podem ser escultores”. Era lógico, mas era falso.
Santos Dumont não acreditou nos compatriotas que insistiam em dizer que o homem não poderia voar com um veículo mais pesado que o ar. Era lógico, mas era falso. O mundo é plano, diziam aos navegadores. Era lógico, mas era falso. Há muitas coisas nas quais você acredita, com lógica, mas que são absolutamente falsas.
É fácil inventar uma razão, um motivo aparentemente lógico, para qualquer coisa. Mas sua vida pode ser muito mais do que um amontoado de desculpas lógicas. Sua vida é muito mais do que qualquer razão para desistir de um sonho.
Sua vida é muito mais do que seu passado ruim, suas experiências de dor e seus medos ancestrais. Sua vida é tudo o que ainda virá. Não importam os limites do seu passado, eles não existem mais. Seu futuro pode ser tudo o que você desejar.
Escolha os companheiros de viagem... e vá. Por isso, toda vez que "escutar uma voz dentro de você dizendo `Você não é um pintor`, então pinte sem parar, de todos os modos possíveis, e aquela voz será silenciada.", como afirmou Van Gogh, um dos maiores pintores da história. Substitua a palavra "pintor" por engenheiro, jornalista, arquiteto, policial, mãe, professor, motorista, cantor, ator, escritor.... ou o que você desejar. E acredite nisso: sua mente e seu corpo são obrigados a seguirem as suas decisões, suas ações e suas crenças.
O despertar da mente começa bem antes do abrir dos olhos. Naquele sonho. Naquele pesadelo. É tudo perfeito demais, ou feito dos seus maiores medos.Você percebe: "Isso não é real, é bom demais pra ser verdade, é terrivelmente amedrontador ter tudo assim, isso é um sonho".
Começa um turbilhão de perguntas, aquela imagem que só existe na sua cabeça perde a forma. Começa a cair, descer. Descendo de volta ao real. Ao mundo real, essa esfera em que vivemos onde distâncias são maiores que desejos, onde a liberdade é limitada por incertezas e hipocrisias.
Seria mesmo esse o despertar? Acho que o real é só um pesadelo. Onde a verdade não é verdade. Onde a verdade é o que vemos, não o que sentimos. O mundo, depois que acordamos, parece mais tudo mais imaginário que antes. Atitudes moldadas por vergonha, buscas por algo que não teriam importância alguma... Somos todos tão fúteis assim? Tão tolos ao ponto de acreditar que a vida realmente está dentro de faculdades e escolas com contas e cotas, dentro de escritórios, de laboratórios... A vida está dentro de nós, por nosso corpo. Está nos nossos pés, que nos levam à paisagens inacreditáveis, está nas cicatrizes de infância, nas cicatrizes mais recentes também. A vida está não está no sonho, está em realizá-los. A verdade não está nas palavras, está em quem as escreve. Vida, verdade e palavra. Quase iguais, tão diferentes. Pelo menos pra mim...
Há quem diga que a distância atrapalha, e que por causa dela o amor não existe, mais é por causa da distância que os beijos começam a ser sonhados e os abraços tão desejados. Os encontros tornam-se desejos. O coração passa a ser um só. A solidão pode até bater em sua porta, uma ou duas vezes.. mais a certeza de ter um ao outro, acaba com qualquer solidão. Os planos começam a ser feitos, com a certeza de que serão cumpridos. E pensar que estão cada um em um canto do mundo. É como se estivessem juntos, o tempo inteiro. As palavras valem muito, valem tudo, são ditas, com a certeza da resposta. A felicidade é grande, mais não é medida, por dias nem anos, mas por instantes. Podem haver milhões e milhões de kms mais o amor consegue ser um bilhão de vezes maior. A distância é algo que só quem consegue superar, entende? O valor de uma foto, ou de uma carta. Só quem vive sabe o valor de um verdadeiro amor.
Around here, however, we don't
look backwards for very long.
We keep moving forward, opening up new doors and
doing new things, because we're curious...
and curiosity keeps leading us down new paths.
Walt Disney ♥
Como eu temo viver assim um momento tão triste! Penso agora: Desde o instante em que te conheci assaltam-me o coração todas as apreensões, todos os temores. Temo perder-te para sempre, temo ficar longe de ti. Será a tristeza a sombra do amor? Apenas contento-me com este momento, efêmero no que dura, mas finito.
Pior seria de você fosse o Sol e eu a Lua.
Mas agora, é minha vez de mostrar-lhe como esse jogo de fingimentos tem por vezes, fins desastrosos. Se por um lado evitas, por falso pudor, mostrar o real desejo, por outro, pode perder o equilibrio nessa corda bamba e cair na rede da solidão.
"Frequentemente dois amantes se deixam seduzir um pelo outro por qualidades que não possuem, e separam-se reconhecendo defeitos que também não existem."
Era uma tarde vazia, como todas as outras, e eu me vi ali, sentada naquele mesmo banco de um ano atrás. Revirando as revistas expostas em cima de uma mesa suja e gasta, a procura de algo que absorvesse as minhas lembranças. Tanto tempo tinha se passado, mas dentro de mim, nada tinha mudado, por mais que eu negasse tal coisa. Parecia que bem no fundo, eu não queria esquecer, queria viver tudo aquilo de novo, ser feliz com ele de novo. Queria poder ver seus olhos brilhando ao me verem acordar, queria ser o motivo dos sorrisos e das risadas mais gostosas que já ouvi na vida. Sabia que queria estar ao seu lado mais uma vez. Mas quando minhas lembranças iam se tornando cada vez mais vívidas, lembrei que isso só existe dentro de mim. E que talvez, só tenha existido dentro de mim o tempo todo. Talvez, ele esteja melhor, tenha aprendido a viver sem mim, tenha conseguido ser feliz sem mim. Tudo desmorona, se parte em pedaços e me faz ver que eu preciso dele. Talvez ele nem se lembre mais de mim, talvez já tenha conhecido outra pessoa melhor do que eu, talvez até, esteja vivendo feliz ao lado de alguém. Perco-me em pensamentos. Perco a noção do tempo. É melhor levantar, ver se consigo me distrair com algo... Pego minha bolsa, ponho o óculos escuros e vou a caminho da porta, segurando as lembranças com todas as forças, em mim. Ando pelas ruas, sem rumo, esbarrando em todos que passam por mim. Sinto-me perdida mesmo sabendo exatamente o caminho que devo percorrer. E do nada, me vem uma vontade de voltar ao lugar que sempre íamos. Tão aconchegante. Livros e livros, e também um silêncio tão palpável que se podia tocar. Gostava muito por causa disso. Podia ficar admirando aquele menino que me mantinha sóbria. Vi-me dando meia volta e caminhando em direção oposta à que devia ir, me vi voltando ao mesmo lugar, procurando algo que talvez eu nem soubesse o que era, mas não quis admitir pra mim mesma. Foi quando estava quase chegando, que vi o que nunca esperava. Ele. Eu estava um lixo, não queria que ele me visse assim, queria parecer ter superado o nosso fim, do jeito que ele parecia ter superado. Senti meu coração parado por fração de segundos, minhas mãos e pernas tremiam como na primeira vez que o vi. Meu coração retornou a bater em ritmo absolutamente acelerado. Abaixei minha cabeça, não queria olhar em seus olhos por medo de que pudesse ver que não me esqueci de nós, assim como ele esqueceu. Fiquei estática, não sabia o que fazer. Tantos dias pra voltar ali, por que justo hoje nós dois resolvemos voltar ali? Parecia que não devíamos nos falar, mas sei que ele me notou, do mesmo jeito que fez quando nos vimos pela primeira vez. Respirei fundo e fiquei no mesmo lugar, com vontade de correr. Levantei minha cabeça, e olhei ao redor, não tinha como escapar, estamos eu, e ele, ali, no mesmo lugar. Aquele aonde nos vimos comprando o mesmo livro e desde então, nos víamos ligados. Olhei em frente, seus olhos olhavam os meus. Não sei por que, deu uma vontade de fazer aquela mesma pergunta, parecia um filme passando na minha cabeça. Foi tão bom, mas sofremos tanto também. Não teve jeito. Cheguei perto, tentando desviar o olhar e não parecer nervosa. De cabeça baixa, deixei escapar um riso tímido e olhei pra baixo. Os meus tênis sujos contrastavam com o verde intenso daquele all-star dele. "Que bom ele ainda gostar da mesma cor que eu". Ergui minha cabeça o vi tímido como sempre que iria dizer algo 'serio', era incrível como seu péssimo gosto para se vestir continuava igual, aquele mau gosto que me encantava tanto. Ri comigo mesma pela semelhança daquele dia, com o primeiro. Ele olhou pra mim e riu. Ficou sem graça. Devagar, elevei meu olhar em seus olhos verdes que flamejavam timidez e felicidade, sentia saudades daquele brilho intenso que eu vira durante dois anos seguidos. E de repente, suas palavras me atingiram como agulhadas:
- Você vem sempre aqui para tentar me encontrar...?
Na vaga impossibilidade de dizer algo um pouco mais convincente, apenas disse:
- Não!Vim comprar um livro de auto-ajuda, algo do tipo...
De novo, aquele perfume, aquele jeito de me olhar. Tudo, tudo. Deixava-me ali parada, sem saber ao certo o que dizer.
- Agora você lê esse tipo de coisa? Que decadência...
Ele disse e riu. Senti uma felicidade ao ver aquele sorriso maravilhoso se abrindo, mas uma pontada de agonia com suas palavras.
- Não é isso!É difícil viver sozinha e só sair para ir estudar sabia? - Desviei o olhar. E eu inconscientemente estava implorando para que todo esse tempo, não tivesse sido só eu quem viveu sozinha. - e, além disso... Eu tenho lido poucos livros. Tentei mudar de assunto, fugir. Não queria mostrar a ele que sentia sua falta.
- Então pelo jeito só lia porque eu te obrigava. Como vai?
Deu um sorriso em provocação para combinar com suas palavras, era tão divertido pra ele me ver assim...
- Talvez seja verdade, confesso. Ah, estou bem.
Não queria que ele notasse que não estava bem. Camuflei-me no meu sorriso
- E O senhor intelectual, como vai? Ri de mim mesma por falar algo assim, tão idiota. - Não precisa ser tão formal comigo não, eu sou da galera também pooo - deu um riso irônico - To indo poo, facul ta foda, mas eu sou foda, tu bem sabe.
Sorte minha ter uma paciência gigantesca.
- Sempre assim né... - Foi a única coisa que consegui dizer em meio a tanta nostalgia. Acabei rindo disso tudo. Rimos juntos. Pura falsidade de ambos. Nenhum dos dois estava bem como tentavam demonstrar. Quando eu parei de rir, ele continuou. Prestei atenção quando a feição dele se fechou, o espírito dele parecia tão triste quanto o meu.
- Sério... - mudei o tom de voz, queria que ele prestasse atenção em mim, e em mais nada - Você ta bem?
Com os olhos baixos, talvez fosse vontade de falar a verdade que crescia, mas o orgulho não o deixava. Será?
- To, por que, não parece?
Olhei nos fundos dos seus olhos por 2 segundos, e desviei o olhar para os livros em sua mão, pois sabia que se mantivesse meus olhos nos dele, ele perceberia o quão mal eu estava. Mesmo quando brigávamos nos olhávamos com desejo um para o outro, isso parecia ter sumido. -Me faça acreditar que está bem Dei um sorriso de canto. Ele abriu um sorriso igual o do gato de Cheshire. E olhou rapidamente para o relógio em seu pulso.
- Ah droga! Estou sorrindo... Pra você!
Foi a minha vez de sorrir. Mantive o sorriso ate meus olhos encontrarem com os dele e minha feição desmoronar. Pude sentir as lágrimas presas em meu peito e saindo sem querer pelo canto do meu olho. Passei os livros da mão direita pra esquerda. As velhas cicatrizes que minhas tentativas de cozinhar pra ele deixaram no meu antebraço direito ficaram a mostra. E vi olhar dele cair ali por um segundo.
- Você sorri assim porque eu gosto, não porque está bem...
Ri de novo. Mas não conseguia mais conter as lágrimas, elas tomaram conta dos meus olhos e ao poucos, embaçaram minha vista. Não limpei nenhuma, tinha esperanças de que ele, o faria como sempre fez... Não tinha idéia do que tinha que fazer. Não saber chorar às vezes complica muito as coisas. Ele pegou meu braço e me puxou para perto dele e apoiou o queixo em minha cabeça, como costumava fazer a muito tempo atrás. O casaco dele secava minhas lágrimas e mais uma vez, seu peito era o meu leito. Ali, naquele refugio, pude perceber que seu cheiro ainda era aquele de sempre. Aquele cheiro de nostalgia me despertou uma curiosidade: Será que ele ainda tinha o mesmo gosto? Olhei em seus olhos fixamente, mas me faltava coragem para beijá-lo novamente. Suas mãos gélidas afagavam minha nuca e me fizeram lembrar aqueles dias em que mais precisei daquele gesto imensurável. Seus olhos me observavam com uma curiosidade familiar. Não queria tirar meus olhos dos dele, aqueles olhos de cor exótica me hipnotizaram de uma forma que o ar me falhou e fez com que eu não me movesse nenhum centímetro. Os dias que passamos juntos vieram diante dos meus olhos, toda a vontade e desejo que tinha, ardia de novo dentro de mim. Era inevitável. Eu ainda o queria como antes, por mais que negasse. Mas não era só isso que eu queria, esperava do fundo da minha alma não sofrer de novo. Queria desaparecer ali, sem deixar rastro, como se eu nunca tivesse existido. Podia morrer ali, com ele perto de mim. Olhei-o durante algum tempo, e depois lhe dei um beijo na bochecha. - Era pra ter sido diferente? Voltei meu olhar para o chão, senti meu coração se quebrando em partes pequenas e frágeis. Ele não disse nenhuma palavra. Não sei se queria ouvir o que ele diria, se seria capaz disso naquele momento, as lágrimas não me deixariam dizer que não era aquilo que eu esperava. Só consegui forçar um sorriso e enxugar as lagrimas que escorreram próximas aos meus lábios. Pareci uma tola em perguntar o que sabia. Dizem que o espaço entre duas fotos felizes são algumas lágrimas. Tivemos lágrimas demais. Olhei o relógio, quase a hora de ir, não me importava mais. Só queria passar aquele tempo ali, com ele.
-Conheço um lugar melhor, vamos? Por fim ele disse alguma coisa. Fiquei sem ação, não esperava aquilo.
- Vamos. - Disse eu, com ar de duvida... - Mas, aonde?
-Relaaaaaaaaaaaaaaaaaxa! Confia mais em mim não? - disse, com o mesmo sorriso de antes. A mão que estava na minha nuca desceu para o ombro, e ele começou a guiar-me para fora dali. -Não se importa se formos andando né?
- Se não for longe, podemos ir andando, eu devo confiar?
Olhei em seus olhos que brilhavam com um olhar extremamente curioso.
-Se não confiasse, não estaríamos a caminho. - Ele riu.
Andei em silencio, eu não tinha o que dizer, também não sabia pra onde estava indo. Só queria ir pra algum lugar onde eu falasse por mim, não pelas minhas lembranças. Toda aquela área tinha algo do nosso passado junto, era nosso jardim, nosso caminho pra casa. Olhei aos redores como se procurasse algo familiar, onde ele estava me levando? Não pude hesitar e soltei ao vento:
- pra onde esta me levando?
- Pra algum lugar que eu não sei onde é, onde só exista eu e você. Não conheço nenhum...
Já não sabia se queria mesmo conversar com ele, ou apenas caminhar com ele perto de mim. Parei de andar, desvencilhei nossas mãos, virei pro lado e encarei o céu.
- Só precisava de algo pra realmente querer você de novo. Passou tanto tempo. Não sei mais se é saudade ou costume pensar em você. - Ouvi ele dizer.
Ele virou-se para mim e me encarou novamente. Logo depois, ele se sentou no chão. E ficou me encarando, acho que estava esperando uma resposta. Pensei cuidadosamente, qualquer coisa que dissesse agora, iria mudar minha vida. Olhei a minha volta, me sentei ao seu lado. Falhou-me a fala, não consegui dizer o que queria. Queria dizer a ele o tamanho da falta que ele me fazia, a imensa saudade que eu sentia e todas as noites de sono que perdi por despertar na madrugada pensando nele. Fiz um silencio que irritou a mim e tenho certeza que a ele também. O silêncio torturou o meu corpo. Engoli seco.
-Desculpe se tomei seu tempo, mas te ver assim, do nada, foi meio que... - Ele começou a dizer, apesar de nunca ter terminado essa frase. - Mas é bom saber que você ta bem. Quer que eu te deixe no metrô?
Queria ter forças o suficiente para fazer o que eu tive vontade. Eu tinha vontade de senti-lo novamente, de tê-lo novamente pra mim, mas eu era fraca, e aquele momento só me fez me sentir pior.
- Não, tudo bem, eu sigo a pé. Não to morando tão longe daqui.
Segui dando passos longos e demorados, queira guardar aquele instante pra mim, aquela fração de segundos. Fiquei olhando aquela cena. Ele ficando distante de mim. Parecia que nosso sentimento tinha virado uma imagem, e esta estava diante meus olhos. Quis gritar, mas não tive voz. Tentei correr, meus pés não se moveram. Fechei os olhos. Desejei do fundo do meu coração, que quando os abrisse, ele estaria ali, olhando pra mim com a cara que fazia quando me acordava cedo pra tirar fotos. Minha vontade era permanecer ali, com ele, e não perdê-lo mais. Meus passos diminuíram, até que pararam. Todas aquelas vozes ao redor me assustaram, e não tive outra reação a não ser, dar meia volta e correr para seus braços imóveis.
- Eu tenho medo.
Disse tão baixo que nem eu fui capaz de me ouvir. Perdi-me em pensamentos, não quis abrir os olhos e não vê-lo mais. Um frio me bateu, não sei dizer se foi solidão ou o vento. Tremi. Então gritei, gritei e cada vez mais alto a dor se manifestava dentro de mim. Ali, com o rosto enfiado em seu peito e gritando. Quem era eu? O que era eu, sem ele?
- Você não precisa se sentir assim... - Ele me disse.
Colocou a mão no meu queixo e levantou minha cabeça. - Eu ainda te amo. Sempre te amei...
E ali, no meio daquele parque cheio de pessoas, ele me beijou.