[...]
E assim, fiquei olhando pra ela, de longe. Aquela menina parecia se tornar tão adulta com o vento frio batendo em seu rosto enquanto ela observava as ondas se formando.
Em cima daquela prancha ela não precisava de mais nada, e isso me dava um misto de ciúme e orgulho. A imensidão do mar parecia deixá-la tão distante de mim, e ao mesmo tempo, a deixava tão solitária.A união entre a menina e o mar era perfeita, e eu, sentado na praia ficava observando tudo isso.
O Sol ,encoberto pelas nuvens de outono, ia ficando cada vez mais fraco, o dia ia virando noite num pôr-do-sol sem graça e os ventos ficavam cada vez mais fortes e frios.E ainda sim ela continuava a domar as ondas e eu contemplando tudo isso com muito gosto.
Era como um vício, eu não conseguia mais desviar minha atenção do que estava vendo. A minha garota envolvida com algo que, com certeza, era mais necessário a ela do que eu.
E quando a claridade já era pouca, e não era mais possível continuar dentro do mar, ela saiu, veio andando devagar na minha direção com a prancha debaixo do braço. Ela olhava para trás enquanto caminhava, como se alguém estivesse a chamando.
Chegou perto de onde eu estava, olhou para a minha cara de satisfeito e disse:
- Olhando você lá do mar, dá um ciúme da areia, parece que você se dá melhor com ela do que comigo, pelo menos ela não fica falando bobeira pra você e te deixa sossegado.
Eu ri, puxei-a pra perto de mim, beijei-lhe o rosto.E ficamos ali, sentados, sentindo um frio quase bom, durante muito tempo.Só eu e ela, o mar e a areia.
