Seis horas da manhã eu levantei, olhei para a mesinha ao lado da minha cama e lá estava a minha máscara. Não a coloquei logo em seguida, hoje resolvi sair um pouco da rotina, tomei banho, café da manhã e a máscara continuava lá. Sentei no sofá da sala e fiquei imóvel, passaram mil coisas pela minha cabeça e de novo aquelas minhas malditas perguntas sem respostas. Tinha que sair, trabalhar, estudar, tinha que colocar aquela máscara idiota, por que será que me prendi tanto a ela? Duas faces, uma escondida, uma que só eu posso ver, uma que só eu conheço. Você já teve a sensação que ninguém te conhece de verdade? Eu a tenho a todo o momento, e depois de um tempo ela deixou de ser uma sensação e passou a ser uma verdade. Viver p'ra ajudar quem precisa, p'ra fazer os outros sorrirem, p'ra fazer papeis dos quais não sei se sou capaz ou boa o suficiente para fazer, minha vida é quase uma escola de teatro, e eu sempre disse "um dia você ouve e no outro é ouvido", parece que o meu dia de ser ouvida demora cada vez mais ou simplesmente não querem me ouvir, e eu estou gritando bem alto que quero tirar essa maldita máscara que faz parecer que está tudo bem quando não está, eu quero tirar essa maldita máscara que esconde que eu sinto falta do passado, eu quero tirar essa maldita máscara...
Engraçado porque nunca gostei de muitas pessoas, mas as vezes toda essa minha liberdade me sufoca, as vezes eu fico cheia de estar vazia. Maldita máscara que insiste em me deixar só...
Só mais um conto alheio para preencher lacunas.
O dia estava nublado, ventando, parecia que viria um temporal em breve. Andei de um lado para o outro procurando algo para fazer, não achei. Resolvi sair e ir até uma cafeteria onde eu costumava passar as tardes há uns três anos atrás, não sabia se ela ainda estava lá e quando a vi fiquei um pouco feliz por saber que nem tudo tinha sido arrancado de mim. Pedi um café expresso e me sentei perto da janela, fiquei sentindo o vento bater no meu rosto e nos meus cabelos. O café chegou, dei um gole e me coloquei a pensar sobre a vida, acho que meu problema é pensar demais. Me lembrei do passado, tenho saudade daqueles tempos, das boas companhias, dos bons romances, da boa música, eu me divertia bastante naquela época, hoje em dia não mais; engraçado como todos acham que o antes foi melhor que o agora -eu sou mestra em pensar essas coisas. Pedi outro café, e abri minha bolsa, vi bem no fundo meu caderninho velho, costumava colar fotos e escrever textos nele há muito tempo atrás então o abri. Primeira página, segunda, terceira... comecei a me lembrar de bons momentos, de ruins também, comecei a sorrir apesar disso, o café chegou, bebi demoradamente e continuei folheando. Achei um saquinho preto muito bem fechado com algo dentro que não sei o que era, parecia se movimentar, parecia sufocado, coloquei o saquinho no bolso do meu casaco, dei outro gole no café, peguei minhas coisas e fui embora. O temporal parecia demorar e eu esperava por ele, já não havia mais o que piorar então eu estava tranqüila. Avistei uma praça vazia, me sentei em um dos bancos inutilizados dela e coloquei as mãos no bolso, notei que o saquinho preto estava lá, o tirei do bolso e fiquei segurando, olhando, totalmente imóvel, quase não piscava. Senti aquele velho vazio que tinha se tornado normal depois de dois anos, criei coragem e abri o saquinho, estava com os olhos fechados, peguei o que estava dentro dele, segurei firme e abri os olhos. Quando olhei e vi ali meu coração, pequeno, batendo devagar, morrendo sufocado por mim mesma aos poucos, descobri o que era esse vazio, como eu pude me esquecer do meu coração? Eu o deixei preso no passado e parece que por isso eu sempre me sentia vazia, por isso eu sempre me magoava comigo mesma. O segurei mais firme ainda e sorri, me senti cheia novamente, e foi a melhor sensação que eu tive em anos. Parecia que o temporal não iria mais chegar, de repente o sol apareceu...no meio de tanta vaga impossibilidade, em um dia nublado, o sol apareceu. Por fim, na última página do meu caderninho tinha uma mensagem:
"A vida é difícil,
Mas comparada a que outra, se só temos a oportunidade de viver apenas uma vez?"
reflita...
queria saber namorar,queria saber demonstrar,queria não viver em um mundo virtual,queria conhecer gente nova,esquecer o presente,queria fazer alguém se apaixonar por mim,alguém que eu realmente goste,queria ter um carro,queria sair dirigindo pelo mundo,queria salvar os animais do planeta e fazer todos virarem vegetarianos e criarem vacas e porcos no quintal,queria ter um emprego que eu não precisasse trabalhar muito e ganhasse bastante,queria uma máquina do tempo,queria não ter pêlos nas pernas,queria tocar uma estrela,queria voar bem alto assim como um pássaro,queria entender o que se passa na cabeça das pessoas,queria prever o futuro,queria viver 1 mês em um iglu no alaska esquiando e vivendo com ursos polares,queria que meu cabelo crescesse sem eu precisar gastar dinheiro com ele,queria dormir tranquilamente todas as noites,queria escrever uma música junto com a Otsuka Ai,queria fazer uma regressão saber quem eu fui na vida passada,mas são só vontades,queria! queria! queria! e queria! eu queria tanta coisa que nem sei quanto tempo demoraria pra escrever aqui.