Seis horas da manhã eu levantei, olhei para a mesinha ao lado da minha cama e lá estava a minha máscara. Não a coloquei logo em seguida, hoje resolvi sair um pouco da rotina, tomei banho, café da manhã e a máscara continuava lá. Sentei no sofá da sala e fiquei imóvel, passaram mil coisas pela minha cabeça e de novo aquelas minhas malditas perguntas sem respostas. Tinha que sair, trabalhar, estudar, tinha que colocar aquela máscara idiota, por que será que me prendi tanto a ela? Duas faces, uma escondida, uma que só eu posso ver, uma que só eu conheço. Você já teve a sensação que ninguém te conhece de verdade? Eu a tenho a todo o momento, e depois de um tempo ela deixou de ser uma sensação e passou a ser uma verdade. Viver p'ra ajudar quem precisa, p'ra fazer os outros sorrirem, p'ra fazer papeis dos quais não sei se sou capaz ou boa o suficiente para fazer, minha vida é quase uma escola de teatro, e eu sempre disse "um dia você ouve e no outro é ouvido", parece que o meu dia de ser ouvida demora cada vez mais ou simplesmente não querem me ouvir, e eu estou gritando bem alto que quero tirar essa maldita máscara que faz parecer que está tudo bem quando não está, eu quero tirar essa maldita máscara que esconde que eu sinto falta do passado, eu quero tirar essa maldita máscara...
Engraçado porque nunca gostei de muitas pessoas, mas as vezes toda essa minha liberdade me sufoca, as vezes eu fico cheia de estar vazia. Maldita máscara que insiste em me deixar só...
Só mais um conto alheio para preencher lacunas.

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